Secretário é exonerado por prefeito após vergonha divulgada
- 24/03/2025
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O prefeito Paulo Silva exonerou, nesta segunda-feira (24), o secretário de Mobilidade Urbana, Allan Rodrigues Alves, e o gerente da mesma pasta, Leandro Bordignon. A decisão ocorre após a descoberta de condições degradantes de trabalho em um setor da Prefeitura, denunciadas pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e pelo Ministério do Trabalho e Emprego na semana passada.
A fiscalização dos órgãos identificou que um servidor municipal trabalhou por meses em isolamento, sem acesso a água potável, banheiro ou estrutura mínima de segurança. O caso levou os fiscais a classificarem a situação como análoga à escravidão. A denúncia partiu do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sinsep), que alertou o MPT sobre a situação.
A inspeção ocorreu na última quinta-feira (20), quando agentes do MPT e do Ministério do Trabalho constataram múltiplas irregularidades. O trabalhador afetado, um pintor letrista com mais de 20 anos de serviço na Prefeitura, foi mantido sozinho no local desde agosto de 2024, após a terceirização do setor. Anteriormente, ele integrava uma equipe de oito pessoas. Além das condições insalubres, relatos indicam que ele recebia poucas atividades e ficava sem função definida, o que pode configurar assédio moral.
"Havia outros trabalhadores nesse local, mas foram retirados com o fim das atividades do setor. Por algum motivo que ainda não está claro para o Ministério Público do Trabalho, esse trabalhador foi mantido nessas condições por meses. Vamos investigar as razões que levaram a Prefeitura a mantê-lo isolado", afirmou o procurador do MPT, Gustavo Rizzo Ricardo.
Durante a vistoria, agentes encontraram escorpiões e criadouros de dengue, agravando o quadro de insalubridade. Como consequência, o Ministério do Trabalho interditou o local e notificou a Prefeitura.
Prefeitura promete apuração interna
Em nota, a Prefeitura de Mogi Mirim informou que abriu uma investigação interna para esclarecer os fatos. "A apuração será conduzida minuciosamente para verificar as circunstâncias apontadas", diz o comunicado.
O texto também alega que o servidor afetado teria recebido a oportunidade de atuar em outro local, mas recusou a proposta. "Nosso esforço será em prol da adoção de medidas lícitas, mediante a apuração da situação", conclui a nota.
A portaria de exoneração dos dois gestores foi publicada no site da Prefeitura. Procurado pela reportagem, o prefeito Paulo Silva não quis se manifestar.
Impacto político e exonerações
Diante da gravidade do caso, o prefeito Paulo Silva optou pela exoneração de Allan Rodrigues Alves (foto) e Leandro Bordignon. A pasta de Mobilidade Urbana, comandada por Alves, tem relação com o setor onde o escândalo foi identificado, o que aumentou a pressão pela exoneração.
Alves, que atuava como coordenador do PDT em Mogi Mirim antes da migração do prefeito para o MDB, também vinha mantendo relações políticas com o União Brasil. Ele foi um dos principais articuladores da campanha de Paulo Silva em 2020 e já ocupou os cargos de secretário de Relações Institucionais e chefe de Gabinete antes de assumir Mobilidade Urbana.
Bordignon, por sua vez, comandou a secretaria de Mobilidade Urbana durante o período eleitoral do ano passado e depois assumiu a gerência da pasta. As exonerações ocorrem em meio à pressão política e à necessidade de respostas rápidas diante do escândalo.
Allan Alves: exoneração foi injusta e documentos que comprovam sua versão
O ex-secretário de Mobilidade Urbana, Allan Rodrigues Alves, afirmou que sua exoneração foi uma injustiça e que tem documentos que comprovam que a responsabilidade pelo caso é da administração municipal, não da sua pasta.
“Tenho a dizer que foi uma injustiça e que tenho documentos que vão comprovar que a responsabilidade é de governo. Esse problema existe desde o ano passado e tudo que estava ao meu alcance foi feito. Os fatos vão preval_ecer!”, afirmou Alves.
A reportagem segue acompanhando o caso e aguarda novos desdobramentos.
Fonte: Portal da Cidade Mogi Mirim